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terça-feira, 13 de agosto de 2019

TUA VAGINA BOCCGIANA


"É tua buceta lisa, cabeluda, peluda, desgrenhada.... não importa.
Tua buceta é onde eu me encontro no céu, no éden, no paraíso
É tua buceta, o portal da felicidade, do prazer-eterno a porta
Tua buceta é morada do meu caralho duro, hirto, firme e preciso.

Tua buceta é fonte de mel, prazer líquido que de ti emana
Destilas líquido que rega meu cacete, imenso e glorioso
Tua buceta, portal que me liberta a besta humana
Meu pau, minha língua, meu dedo tudo que é luxurioso.

Quero tua buceta, bucetinha, vagina, poço ou gruta
Não quero nomes, sobrenomes ou denominá-la.
Quero subjugá-la, retê-la e dominá-la.
Fazer de ti minha indomável puta..."
                            PDR, novembro de 2017
 
  


segunda-feira, 12 de agosto de 2019

TOCO TU BOCA - JÚLIO CORTÁZAR

Acto I: Toco tu boca
Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano por tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.
Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. 

Acto II: El encuentro
Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. 

Acto III: El final.
Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mí como una luna en el agua.

Júlio Cortázar, Rayuela Capítulo 7

sábado, 10 de agosto de 2019

VINGANÇA

Há provas irrefutáveis que chorei por ti
Nessa cama onde trocamos carícias indescritíveis.
Há evidências aparentes de que foste minha.
Gozamos juntos, um gozo íntimo, ardente,
Nesse mesmo lençol, o cheiro de teu sexo me provoca, me fustiga 
Nessa cama, onde deixastes suores, travesseiros com cheiro de teus cabelos
Nessa cama, que ouviu teus ais e tuas promessas de amor infindo.
Hoje, sinto-me ainda dentro de tua vagina, de tua boca, de teu ânus.
Mais saiba que ainda estás dentro de mim.
Aqui dentro desse coração.
Dentro de minha alma e meus sonhos.
De lá não sairás jamais.
Aprisionada.
Assim me vingo de ti.
                                                                           PDR, no dia 15 de abril de 2013




sexta-feira, 9 de agosto de 2019

CAMONIANA: SONHO E ESPERO!

"Sonhar-te é meu maior tormento.
Já  dei-me conta que és sonho vão e tardio,
Pois és  de minh'alma o alimento,
E aqui nesse peito mora um coração vazio. 

Esperar-te é um instante de doce tormento
E por mais que  esse seja fugaz e breve,
Teu amor é mais que ardor e sofrimento,
É aquela dor de amor, que me faz a vida leve.

Possuir-te, ó incontido, doce e sutil engano
Que soprou em mim do amor, o vento
E eu a buscar-te nas ondas do oceano.

O amor que nunca tive e a sorte e o intento
De fazer-me em ti o meu mais divino plano.
Falhei-me em ventura, sonho e contentamento."
                                                           PDR, abril de 2015

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

VERSOS DITOS PELA BOCA

"Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem para te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim para te oferecer

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor,eu não tos digo ainda.
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz.

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu não dei,
Guardo os versos mais lindos que te fiz!" 

Florbela Espanca, poeta portuguesa,   (Vila Viçosa8 de dezembro de 1894 — Matosinhos8 de dezembro de 1930)  in "Os versos que te fiz"